domingo, março 28, 2010

... Karameikos?

Talvez você aí não saiba... mas eu comecei a jogar RPG com o FIRST QUEST, um módulo introdutório de AD&D. Após completarmos aquelas aventuras, adquirimos um cenário de campanha, chamado "Karameikos: Terra de Aventuras". Muitas pessoas compravam o Forgotten Realms, mas nosso grupo curtiu as aventurazinhas do FIRST QUEST, que vinham com CD de áudio, etc e decidimos pelo Karameikos. Assim como o FR, ele vinha dividido em duas partes: uma com o guia do cenário e outra, com o CD de áudio, as aventuras e as fichas de personagens.

Se comparado aos livros de hoje, o Guia do Viajante de Karameikos é algo extremamente fora do padrão. Em pouco mais de 120 páginas, você encontrará poucas regras. O livro, basicamente, descreve a geografia e as principais cidades do reino... os PdM's mais poderosos estão próximos do 20º nível... não existe um grande número de sociedades secretas... enfim, é um cenário sem grandes amarras ou história aprofundada. Em muitos aspectos, pode ser considerado o oposto de Forgotten Realms: Karameikos nem tem masmorra direito!

Para mim, esse livro foi o começo ideal para um grupo de personagens iniciantes: ele apresentava uma terra simples, de inimigos e perigos relativamente pequenos, e que poderia portanto ser modificado por um grupo de herois iniciantes, bastando que eles tivessem um pouco de sorte. Nada de Elminster, Lord Soth, Khelben, Drizzt... nada disso. Karameikos é um reino relativamente isolado (ou apenas deixado de lado por outros tantos reinos), e seu nível de poder é de baixo para médio (apesar de possuir riquezas e itens mágicos em profusão, remanescentes de idades remotas). Essas características permitiriam que personagens iniciantes recuperassem relíquias ancestrais e, com o passar dos níveis, atingissem graus de poder que interessassem aos governantes, e até mesmo permitiriam interferências grandiosas no cenário. Em última análise, Karameikos apresenta um ótimo "plano de aposentadoria" para os personagens dos jogadores: eles sempre serão necessários, uma vez em que não há um taverneiro de nível 8 em cada esquina!

Mas, e então, por que é que eu estou falando de Karameikos? Bom, o fato é que eu comprei um Karameikos ainda ontem, fechado no plástico, por sete reais... na Livraria Leitura do Pátio Savassi.

É interessante pensar em coisas como... por onde esse livro andou? Quantos foram vendidos antes desse que eu comprei (que era o último)? Será que as pessoas que o compraram sabiam o que estavam comprando? Muitas perguntas, nenhuma resposta.

Enfim, comprei o livro... e fiquei com remorso. Eu já tenho um Karameikos, assim como tenho um FIRST QUEST completo, e não precisava de outro. Pior, e se um jogador iniciante de RPG passasse pela livraria, visse o livro e o comprasse? Adquirindo este item repetido, eu impedi que o produto chegasse a alguém novo, ou simplesmente desconhecedor de como eram os livros de outrora. Qual seria a reação dessa pessoa ao ler o Guia do Viajante? Será que ela repensaria algumas opiniões sobre os livros antigos? Será que os consideraria mais ricos que os livros de hoje? Ou será que ela simplesmente o jogaria no lixo, por não ser aquilo que se esperava? O livro custou apenas sete reais, então quaisquer das conclusões acima seria válida.

Enfim, em respeito aos novatos em toda a BH, decidi manter o produto fechado, lacrado, como o comprei. Se um grupo iniciante cair nas minhas garras, eu terei o maior prazer em iniciar a sua vida de aventuras nas terras de Karameikos... ou quem sabe, um grupo de veteranos que nunca jogou AD&D/Karameikos se habilite... ou quem sabe, eu simplesmente guarde isso pelos próximos 40 anos, e venda-o quando (se?) ele valer uma fortuna.

E.

P.S.: Se você pensa que cenários não editados pela WotC estão mortos, gostaria de dizer que Karameikos fica no cenário chamado Mystara... e esse cenário conta com mapas, debates, material gratuito e muito mais por aí, sem pirataria. Divirta-se!