segunda-feira, maio 11, 2009

EIRPG CANCELADO

O rumor apareceu no meio da semana passada, em muitos blogs... mas a confirmação, vinda diretamente de um funcionário da Devir, eu só vi ontem, no fórum da spellbrasil.
Apesar de nunca ter comparecido ao EIRPG, eu sempre recebi notícias a respeito dele, seja pelas coberturas ancestrais da antiga Dragão Brasil, seja pelas mensagens eletrônicas das listas nas quais participo, seja por conversas com pessoas que participaram do evento, lojistas, etc. O evento é sim uma coisa grande, não só pela quantidade de pessoas que participam de suas mesas de jogo, mas também devido a quantidade de pessoas que programam-se anualmente para o evento: há desde grupos de amigos que montam caravanas para ir, até editoras de RPG que programam seus lançamentos especialmente para o evento. Há então uma reunião dos interesses dos fãs, dos amadores e dos profissionais, todos reunidos em um único salão, durante alguns dias. É realmente uma oportunidade única!
Porém, nem tudo são flores nesse cenário: para começar, há o velho problema, essa coisa recorrente, esse vício no gratuito, que faz com que as pessoas reclamem dos preços de qualquer coisa associada ao RPG. Qualquer coisa. Tem gente que reclama por ter de pagar R$1,00 para poder levar para casa um pôster do evento. Cara, 1 real. Eu levaria ao menos 10, feliz da vida, e daria de presente para os amigos que não tivessem visitado o encontro. Outra fonte de reclamações é o preço de entrada e participação no evento, coisa de R$10,00. Eu fiz recentemente uma pesquisa na comunidade RPG BH, do Orkut, justamente para saber quanto as pessoas estariam dispostas a pagar para participar de um evento de RPG. É verdade que poucas pessoas responderam (outra característica ruim dos RPGistas como um todo: eles não se manifestam espontaneamente), mas das quase 30 respostas, 19 foram no sentido de "não pago mais de 10 reais" (5 responderam que não pagariam). E, quando você pensa que um evento precisa de pessoas que trabalhem nele, se os participantes não animam a pagar nem 10 reais, fica evidente que você terá de recorrer a outras formas de patrocínio. Daí, todo o evento dependerá de uma loja, uma editora, uma pessoa qualquer que queira desembolsar o financiamento. E isso é ruim na medida em que essas lojas, ao menos em BH, não estão assim tão dispostas a financiar nada.
Uma outra coisa muito chata a respeito do EIRPG (talvez associada a esse aspecto citado acima) é que ele sempre deu prejuízo. E não é coisa pouca... o D3 falou em R$100.000,00. Isso mesmo, cem mil reais... isso nos idos de 2006, imagina como é hoje! Então, o evento ruim das pernas, as pessoas cada vez mais rancorosas quanto à organização (nem é difícil encontrar tópicos de fóruns descascando os eventos do passado), e sempre as mesmas pessoas se mobilizando para fazer uma coisa que aparentemente só tem algum sentido especial para elas mesmas... daí o evento acaba mesmo!
Um terceiro aspecto, talvez o mais irrevogável, é que as pessoas estão cada vez mais atraídas para a internet que para o RPG de mesa, o que acaba por esvaziar o objetivo do EIRPG. Vi muita gente comentar que iria ao EIRPG para conhecer pessoas que só conhece pela net, para se reunir com não sei quem, para comprar livros... jogar mesmo, participar de algum entrevista/lançamento/promoção/etc que só ocorre no evento, etc eu nem ouvi. Assim sendo, noves fora, o EIRPG é para muitos um pano de fundo, e não uma atração principal.
O mais triste de tudo é que não se falou em adiar o evento: falou-se em cancelamento. Isso aí dói. Uma coisa é você saber que não terá grana para fazer uma coisa daqui a um mês ou dois; outra coisa é saber que aquilo ali é inviável pelo resto do ano, sendo que mal começamos o mês de maio. Uma pena, sob qualquer ângulo.
Eu não sei se isso terá algum reflexo no DIA D RPG, ou em outros eventos maiores aqui no Brasil. Espero sinceramente que não haja contaminação. Eu continuarei organizando eventos pela RPGA, e qualquer ajuda/participação é bemvinda.
Sigamos em frente, continuemos na luta, porque se a gente não fizer, ninguém mais faz.
E.